Foi no “Prós e Contras” da última semana que Daniel Cardoso argumentou que pais obrigarem os netos a beijar avós, especialmente aqueles que mergulham regularmente em água de colônia, não só é uma violência sobre o corpo do outro, como culminará numa atitude controladora sobre a privacidade dos futuros parceiros destas crianças.
Desde que as redes sociais abraçaram coercivamente a polémica, as gerações mais idosas têm investido as suas poupanças em prendas profícuas na conquista da mais ténue intimidade física – ou seja, “aquelas videoconsolas da Nimtenda, ou lá como se chama o aparelho” por beijinhos.
Apesar dos beijinhos dos netos serem totalmente consentidos neste cenário Nintendo-lucrativo, a ONU ainda não determinou se esta prática pode ser enquadrada como uma forma de prostituição infantil, sendo que alguns dos seus membros já demonstraram bastante preocupação.
“Esta pequena pedagogia depois cresce, e o que acontece? Depois vemos estas crianças a chegar à adolescência numa altura que coincidirá com a próxima Playstation, e nessa altura não vão ser os avozinhos a oferecer-lhes uma PS5, nem vai ser um mero beijinho a ser transacionado. Imagine-se só, uma geração de adolescentes emocionalmente confusos, dispostos a mentir e fingir interesse para obter o que desejam. É impensável.”
Alheio aos contornos éticos deste debate, Mário Centeno já anunciou um novo pacote de impostos indirectos sobre qualquer transação entre avós e netos que será integrado no Orçamento de Estado do próximo ano.
